Membro: Igor Moraes Rodrigues
Orientador: Vander Valduga
Dissertação: Turismo acessível para pessoas com deficiências : um cenário (d)eficiente(?)
Programa/Instituição: PPGTUR UFPR
Tema: Turismo acessível
Resumo: Considerando que o turismo envolve um deslocamento (que é preciso se movimentar), encontros (habilidade cognitiva para se comunicar), uma série de contemplações de paisagens e atrativos (que é necessário enxergar), e fornecimento e recebimento de informações (capacidade de falar e ouvir) uma parcela da população é lezada nessa participação, como pessoas com deficiências. A deficiência é uma questão pertinente e perene vivida por 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Pessoas com deficiências são um grupo heterogêneo e suas necessidades devem ser estudadas levando em conta essa pluralidade. Com isso, o turismo adentra essas questões de inclusão-exclusão da pluralidade por meio do turismo acessível. O turismo acessível, a priori, surgiu na relação entre turismo, acessibilidade e deficiência, isto é, para facilitar a participação de pessoas com deficiências no turismo. Entretanto, com o passar do tempo, essa área de estudo passou a englobar a mobilidade de outros grupos: idosos, pessoas em vulnerabilidade social, acompanhantes de pessoas com deficiências, pessoas com (carrinho de) crianças ou bebês. Com isso, o turismo acessível diz respeito a como as atividades turísticas atuam e se adaptam para que haja a participação de todas as pessoas. Tendo como questão de pesquisa "qual é o cenário da produção científica nacional e internacional sobre turismo acessível para pessoas com deficiências?", objetivou-se sistematizar a produção científica nacional e internacional sobre turismo acessível para pessoas com deficiências. Partiu-se da hipótese inicial (H0) que as pesquisas sobre turismo acessível para pessoas com deficiências são homogêneas e não representam a heterogeneidade desse grupo social. Foram sugeridas duas hipóteses: H1: pesquisas sobre pessoas com deficiências específicas (física, cognitiva, sensoriais) são mais publicadas na literatura internacional; e H2: pesquisas sobre deficiência física/motora são mais publicadas que pesquisas sobre deficiências sensoriais e cognitivas. Metodologicamente, se caracteriza como descritiva e analítica realizada por meio de pesquisa bibliométrica e pesquisa sistemática integrativa com abordagem qualitativa no intuito de realizar uma pesquisa de estado da arte nacional e internacional sobre o tema. A coleta de dados nacionais se deu em 25 periódicos brasileiros de turismo que resultou um escopo de 54 artigos sobre o tema e a coleta de dados internacionais se deu a partir da busca pelo termo "accessible tourism" nas bases Web of Science, Scopus e Redalyc que resultou em um escopo de 108 artigos sobre o tema. A análise dos dados foi dividida em dois momentos: estudo bibliométrico (EB) e estudo de revisão integrativa da literatura (RIL). No Estudo Bibliométrico foram utilizadas as Leis de Lotka, Bradford e Zipf que tratam da produtividade dos autores, dispersão de artigos por periódicos e incidência de termos, respectivamente. Já o uso da Revisão Integrativa da Literatura foi realizado para categorizar os estudos, apontar lacunas e direcionamentos futuros de pesquisas. Com os principais resultados do Estudo Bibliométrico foi possível identificar como está disseminado o conhecimento científico publicado sobre turismo acessível para pessoas com deficiências. A aplicação da Lei de Lotka revelou que 67% a 72% dos autores publicaram apenas um artigo e que um grupo de 17 autores foi o mais produtivo, sendo responsáveis por 27,8% dos artigos publicados. Com a Lei de Bradford foram identificados 79 periódicos com artigos publicados sobre o tema, divididos em quatro Zonas de Produtividade, com um Multiplicador de Bradford (Bm) = 2. Os 13 periódicos que compõem as duas primeiras Zonas são responsáveis por 43,2% (70 artigos) do total de artigos publicados, comprovando que uma pequena quantidade de periódicos acumula uma grande quantidade de artigos publicados sobre o tema. Com a Lei de Zipf foi verificado que na literatura nacional os artigos utilizam palavras-chaves com temas dispersos enquanto na literatura internacional os estudos utilizam palavras-chave com um grupo de termos relacionados ao turismo acessível. Também foi identificado que os estudos sobre turismo acessível para pessoas com deficiências foram publicados em sua maioria a partir de 2016, com abordagens metodológicas qualitativas e expressivamente com autoria de mulheres. Com a Revisão Integrativa da Literatura foi identificado que os estudos passam de uma perspectiva de recuperação, cura e reabilitação para uma perspectiva de inclusão, adaptação e participação, superando o modelo médico pelo modelo social da deficiência. Os estudos também utilizam a terminologia correta para se referir a esse grupo: pessoas com deficiência e people with disability. Os artigos, em quase 70%, tratam as pessoas com deficiências como um grupo homogêneo, pois não especificam algum tipo de deficiência em suas análises. Na literatura nacional, 44,45% dos estudos fazem essa especificação e na literatura internacional apenas 30,57%. Entre as literaturas, 13,58% dos artigos tratam de deficiência física/motora enquanto que 21,60% tratam de deficiências sensoriais ou cognitivas. Tanto a H1 quanto a H2 foram refutadas. Algumas lacunas apontadas e que podem direcionar futuros estudos sobre o tema são: estudos sobre dois ou mais tipos de deficiências; sobre as experiências turísticas dos acompanhantes de pessoas com deficiências; crianças e idosos com deficiências; como a governança aborda esse tema; como a tecnologia auxilia na inclusão desse público no turismo; empregabilidades dessas pessoas no turismo; como as pessoas com deficiências participam do processo de informações turísticas. Essa dissertação contribui com o conhecimento científico em turismo tanto pela abrangência da pesquisa quanto pela inovação ao mostrar um mapeamento amplo, atualizado e detalhado sobre turismo acessível para pessoas com deficiências.
Acesso ao conteúdo completo: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/74118
TerroirTUR
Grupo de pesquisa em Turismo e Sistemas Agroalimentares
terroirtur@gmail.com
© 2025. All rights reserved.
